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Artigos Em breve! Em breve!

Basta de Hipocrisía!

Os mais recentes acontecimentos envolvendo as dezenas de mortes no trânsito e o acidente que vitimou a jovem promessa colorada Mahicon Librelato, reacendeu a velha discussão envolvendo o trânsito, que tem consumido importantes espaços na mídia gaúcha. As reportagens despertaram novamente as polêmicas sobre os responsáveis por estas tragédias. A Fundação Thiago de Moraes Gonzaga, cansada de assistir polêmicas como essa serem despertadas depois de cada final de semana trágico vem a público manifestar sua opinião sobre os acontecimentos.
Para a pergunta de quem é o responsável pelas tragédias, nós temos a seguinte resposta: TODOS! Toda a sociedade é responsável pela "cultura" que mata milhares de pessoas todos os anos no Brasil. No intuito de comprovar nossa afirmação vamos analisar alguns agentes da nossa sociedade.

As Montadoras e Revendedoras

Para não iniciar pelo governo como fazem todos quando o assunto é trânsito vamos começar pela iniciativa privada, que para vender seus possantes veículos utiliza-se do incentivo à velocidade como instrumento de sedução de jovens desavisados e necessitados de alto afirmação. Pois, através de propagandas que incentivam a velocidade e o culto ao automóvel despejam nas ruas e avenidas veículos e motos que alcançam velocidades muito superiores às permitidas pela legislação.
Não assistimos nenhuma montadora falar de veículos que andem na velocidade permitida pela lei, que possuam equipamentos de segurança para crianças, aliás, para conseguir adquirir uma cadeira de bebê (equipamento de segurança obrigatório no transporte de crianças) o cidadão passa por uma verdadeira maratona até obter uma cadeira ineficiente e apenas decorativa. As montadoras desenvolvem equipamentos (rodas de liga leve, aerofólios), acessórios (CD) e motores potentes (16 válvulas, Turbo), porém, não desenvolvem nenhum tipo de equipamentos de segurança para crianças. No Brasil não temos nenhuma cadeira para crianças até nove meses aprovada pelo INMETRO, apenas cadeiras importadas. Já para as maiores apenas dois equipamentos foram aprovados, um pela Lennox e outro pela Burigotto. Esta última, no entanto, é campeã de vendas de um modelo de cadeira que foi reprovada pelo INMETRO, porém que custa mais barato. Ou seja, não importa sua eficácia, basta que seja barata; Com esse raciocínio, as crianças continuaram sendo vitimas no trânsito.

As agências de Publicidade

Quando falamos das campanhas publicitárias não podemos eximir da responsabilidade que os criadores de tais peças têm. Em 2002 assistimos no horário nobre duas propagandas aterrorizantes do ponto de vista educativo. Não são as únicas, nem as primeiras, e pelo visto não serão as últimas. Na primeira, o carro ia andando a uma velocidade suficiente para mover os moinhos de vento localizados a margem da estrada. Na segunda o veículo passava com tal rapidez que secava as roupas estendidas no varal à beira da estrada. O pior de tudo é que esta mesma propaganda foi considerada uma das melhores do ano. Tudo isso ocorre ao mesmo tempo em que o CONAR desenvolve uma campanha sobre a responsabilidade na propaganda. As agências têm o poder de influenciar seu cliente e podem sim influencia-lo positivamente.

As Auto Peças e Lojas de Varejo

Hoje é comum chegar a um supermercado ou magazine e encontrar equipamentos de segurança para crianças (cadeirinhas) além de outros acessórios para veículos. Porém esquecem que a cadeira de bebê é um equipamento de segurança e não um instrumento de decoração, portanto não poderiam vender equipamentos que não tenham sua eficácia comprovada por testes, sob pena de serem co-responsáveis pelos acidentes com crianças, pois os pais adquirem o equipamento acreditando que o mesmo garantirá a segurança dos filhos. E na maioria das vezes está sendo enganado, entretanto quando descobre o erro já é tarde demais. É preciso responsabilidade na venda de equipamentos de segurança para veículos. Senão, uma pequena batida pode ser fatal para a criança, mesmo no banco de trás.

Os meios de Comunicação

No Brasil os meios de comunicação constituem o quarto poder e na maior parte das vezes são muito mais influentes do que os governos e a iniciativa privada. Normalmente e não raro só se preocupam com a questão do trânsito quando ocorrem as tragédias e muitas vezes, por questões econômicas, são a vitrine para o incentivo e difusão da cultura do herói. É preciso também uma auto-crítica dos meios de comunicação sobre o seu papel social.

Os Donos do Sistema (Governo)

Não raro o Governo é o primeiro a ser responsabilizado pelas tragédias e como podemos avaliar, não são os únicos, porém na condição de "Donos do Sistema" são os principais responsáveis, pois cabe a ele investigar as circunstâncias e tentar evitar que ocorra novamente. Todos devemos entender que os acidentes de trânsito podem ser evitados e que não são obras do acaso. Chegou a hora de desenvolver estratégias eficazes de prevenção, que possam reduzir seu impacto sobre a saúde da população.
O foco da última discussão está centrado na eficácia dos pardais e lombadas eletrônicas e sua utilização como forma de arrecadação. O governo se defende acusando aos adversários dos equipamentos de controle de velocidade como responsáveis pelos aumentos das ocorrências.
Nós da Fundação Thiago de Moraes Gonzaga somos favoráveis ao controle rigoroso da velocidade, através dos equipamentos disponíveis e lícitos. Porém, sabemos que eles são apenas uma pequena parte das alternativas de prevenção e consideramos muito pequena a visão de superdimensionar a sua importância no sistema.
Vejamos o caso de Porto Alegre, capital modelo no Brasil, temos aqui um sistema moderno de parquímetros e muitos fiscais na área azul para controlar o tempo que o cidadão fica estacionado. Também temos um grande índice de autuações por estacionamento em local proibido, placa ilegível, veículo sem lacre de placa, estacionamento em fila dupla. No entanto onde está a EPTC quando os postos de conveniência estão lotados de motoristas consumindo bebidas alcoólicas e saindo em alta velocidade, na contramão, fato que presenciamos na última sexta-feira (29.11), quando realizávamos mais uma Madrugada Viva? Por que, a EPTC não adquire bafômetros e realiza blitz na saída destes postos? A simples presença de um agente de trânsito no local seria o suficiente para coibir os abusos. Por que não realiza-se blitz permanente nas madrugadas nos locais de pegas e nas saídas das boates mais badaladas? Pois se sabemos de onde saem os motoristas embriagados por que não marcamos presença? Por que o sistema é corajoso quando autua uma mãe que estacionou o veículo em fila dupla para deixar o filho na escola em dia de chuva, e é covarde com os motoristas embriagados.
O investimento nos equipamentos de arrecadação e não no material humano para presença ostensiva nos locais de maior desobediência alimenta os argumentos de quem afirma que o objetivo é só arrecadação. Pois os azuizinhos não devem estar escondidos atrás das árvores ou placas e sim bem a vista nas madrugadas, nas saídas dos postinhos de conveniência, boates, danceterias, restaurante e em locais de "pegas".

A Solução

O primeiro passo é ter humildade para saber que essa questão depende de todos e não achar que a solução está no outro. O trânsito é uma questão cultural, e desde a família até a escola, as empresas com seus funcionários e em seus comportamentos, os meios de comunicação e o cidadão comum devem abordar os problemas e gerar suas soluções. Acreditar que fórmulas milagrosas e isoladas podem resolver o problema é uma ingenuidade que está vitimando milhares de pessoas. É preciso de continuidade nas ações. Não adianta blitz na madrugada, uma vez por mês ou por ano, é preciso blitz todos os fins de semana e quem sabe todos os dias.
É preciso comerciais permanentes nos meios de comunicação, porém acompanhados de ações correspondentes nas escolas, nas empresas, nos clubes na sociedade em geral.
É chegada a HORA DA CONVERSA OLHO NO OLHO, ou então continuaremos a ser campeões de acidentes e mortes e receber os filhos em caixões fechados, pois a principal causa de morte de jovens de 14 a 26 anos no Brasil é o trânsito e dados da Associação Brasileira de medicina de tráfego revelam que 33% das mortes de crianças até cinco anos é o trânsito e 70% delas poderia ser evitada com o uso do equipamento de segurança.

Diza Gonzaga
Presidente

Publicado por assessoria de imprensa em 27/01/2005, às 18:00

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